1. O que são os piolhos e a pediculose
Os piolhos da cabeça são pequenos insetos que vivem no cabelo e junto ao couro cabeludo.
A presença de piolhos é designada por pediculose. Quando a infestação ocorre especificamente no couro cabeludo, pode também ser denominada pediculose da cabeça.
Qualquer pessoa pode ter piolhos, mas são particularmente frequentes em crianças em idade pré-escolar e escolar devido à proximidade física durante brincadeiras, atividades escolares e outras situações de contacto.
Quando uma criança tem piolhos, estes podem também transmitir-se a irmãos, pais ou outras pessoas com quem exista contacto próximo.
Ter piolhos significa falta de higiene?
Não.
Os piolhos podem surgir em cabelos limpos ou menos limpos e a sua presença não significa falta de higiene pessoal. Lavar frequentemente o cabelo também não impede, por si só, uma infestação.
Por esse motivo, uma criança com piolhos não deve ser culpabilizada, envergonhada ou estigmatizada.
2. Como se transmitem os piolhos
A transmissão ocorre principalmente através do contacto direto entre cabelos ou cabeças.
Isto pode acontecer, por exemplo:
- Durante brincadeiras entre crianças
- Ao abraçar ou aproximar muito as cabeças
- Durante algumas atividades escolares ou desportivas
- Entre pessoas da mesma família
Os piolhos não possuem asas, não voam e não saltam de uma pessoa para outra. Deslocam-se agarrados ao cabelo, razão pela qual o contacto próximo entre cabeças é a principal forma de transmissão.
A transmissão através de objetos é possível, mas é considerada menos frequente.
Durante uma infestação, é aconselhável evitar a partilha de:
- Pentes e escovas
- Gorros e chapéus
- Elásticos e acessórios de cabelo
- Toalhas utilizadas no cabelo
Os piolhos da cabeça humana estão adaptados ao ser humano. Cães, gatos e outros animais domésticos não são a origem habitual deste tipo de infestação e não necessitam de tratamento devido a uma pediculose humana.
3. Quais são os principais sintomas de piolhos
A comichão no couro cabeludo é um dos sinais mais conhecidos de uma infestação por piolhos.
Podem também surgir:
- Sensação de movimento no cabelo
- Comichão mais intensa atrás das orelhas ou na nuca
- Irritação do couro cabeludo
- Pequenas feridas provocadas pelo ato de coçar
- Dificuldade em dormir em algumas pessoas
No entanto, nem todas as pessoas sentem comichão imediatamente. Na primeira infestação, este sintoma pode demorar algum tempo a aparecer.
Por isso, a ausência de comichão não permite excluir a presença de piolhos.
4. Como saber se existem piolhos
A melhor forma de confirmar uma infestação ativa é encontrar um piolho vivo no cabelo ou junto ao couro cabeludo.
Como os piolhos são pequenos e se movimentam rapidamente, pode ser útil utilizar um pente fino próprio para a sua deteção.
É aconselhável observar com particular atenção:
- A zona atrás das orelhas
- A nuca
- O cabelo junto ao couro cabeludo
O cabelo pode ser dividido em pequenas secções e penteado cuidadosamente desde a raiz até às pontas.
Uma das opções consiste em realizar esta verificação com o cabelo molhado e utilizar condicionador para facilitar a passagem do pente. Depois de cada passagem, deve observar-se cuidadosamente o pente.
Uma análise sistemática de toda a cabeça é mais eficaz do que uma observação superficial do cabelo.
5. O que são lêndeas e como distingui-las da caspa
As lêndeas são os ovos dos piolhos.
Ficam firmemente aderidas aos fios de cabelo através de uma substância produzida pelo próprio piolho e, ao contrário da caspa, não desaparecem facilmente quando se passa a mão pelo cabelo.
A caspa tende a soltar-se mais facilmente, enquanto as lêndeas permanecem agarradas ao fio. Podem apresentar uma tonalidade esbranquiçada, amarelada ou acastanhada.
No entanto, resíduos de produtos capilares, caspa e outras partículas podem ser confundidos com lêndeas.
Encontrar lêndeas também não significa necessariamente que existam piolhos vivos. Depois de uma infestação, as cascas dos ovos podem permanecer agarradas ao cabelo.
As lêndeas localizadas mais longe do couro cabeludo têm maior probabilidade de corresponder a ovos antigos ou já vazios. Por esse motivo, encontrar um piolho vivo continua a ser a melhor forma de confirmar uma infestação ativa.
6. Como tratar os piolhos
Existem diferentes métodos para tratar uma infestação por piolhos.
Entre as principais opções encontram-se:
- Penteação húmida sistemática com pente fino
- Produtos específicos destinados ao tratamento da pediculose
- Outros tratamentos recomendados por um médico ou farmacêutico quando necessário
A opção mais adequada pode depender da idade da pessoa, das suas características individuais e do produto utilizado.
Penteação húmida
A penteação húmida pode ser utilizada para remover os piolhos de forma sistemática.
Uma técnica possível consiste em:
- Lavar o cabelo com o champô habitual
- Aplicar condicionador
- Desembaraçar o cabelo
- Dividir o cabelo em pequenas secções
- Passar o pente fino desde a raiz até às pontas
- Verificar e limpar o pente após cada passagem
- Repetir o procedimento em toda a cabeça
A penteação deve ser repetida nos dias seguintes para ajudar a remover piolhos que possam entretanto surgir.
Produtos contra piolhos
Existem produtos específicos disponíveis em farmácias para o tratamento da pediculose.
A composição e o modo de atuação podem variar. Alguns atuam principalmente sobre os piolhos vivos, enquanto outros podem atuar sobre diferentes fases do seu ciclo de vida.
É importante respeitar as instruções relativas à quantidade utilizada, ao tempo de aplicação e à eventual necessidade de repetir o tratamento.
Utilizar mais produto do que o recomendado não melhora necessariamente a eficácia e pode aumentar o risco de irritação ou outros efeitos indesejáveis.
Também não devem ser combinados diferentes tratamentos sem orientação de um profissional de saúde.
7. Porque pode ser necessário repetir o tratamento
O ciclo de vida dos piolhos começa com os ovos depositados junto ao couro cabeludo.
Depois de eclodirem surgem as ninfas, pequenos piolhos que passam por várias fases de desenvolvimento até atingirem a idade adulta. Os piolhos adultos podem então colocar novos ovos e continuar o ciclo.
É por este motivo que alguns tratamentos necessitam de uma segunda aplicação.
Dependendo do produto utilizado, pode ser recomendada uma nova aplicação aproximadamente 7 a 10 dias após o primeiro tratamento para eliminar piolhos que tenham entretanto nascido.
Devem ser sempre seguidas as instruções específicas do produto ou as indicações dadas pelo médico ou farmacêutico.
8. O que fazer se o tratamento não resultar
A persistência de piolhos depois de um tratamento pode ter várias explicações, incluindo:
- Aplicação incorreta do produto
- Não repetição do tratamento quando indicada
- Nova transmissão por uma pessoa próxima ainda infestada
- Menor eficácia de determinados produtos
- Confusão entre lêndeas antigas e piolhos vivos
Se continuar a encontrar piolhos vivos depois de utilizar corretamente o tratamento, deve pedir aconselhamento a um farmacêutico ou médico antes de repetir sucessivamente o mesmo produto.
Os restantes membros da família e contactos próximos também devem ser verificados.
Não é aconselhável aplicar tratamentos preventivamente a todas as pessoas apenas porque vivem na mesma casa. O tratamento deve ser dirigido às pessoas com infestação ativa.
Quando existem várias pessoas infestadas no mesmo agregado familiar, o tratamento simultâneo pode ajudar a reduzir novas transmissões entre elas.
9. É necessário limpar toda a casa?
Não é necessária uma limpeza ou desinfeção extrema da casa.
Os piolhos dependem do hospedeiro humano e a principal transmissão ocorre diretamente entre pessoas.
Pode ser útil dar atenção a objetos utilizados recentemente e que estiveram em contacto direto com o cabelo da pessoa infestada, como:
- Fronhas
- Toalhas
- Gorros
- Pentes e escovas
- Alguns acessórios de cabelo
Os pentes e escovas devem ser adequadamente limpos e não devem ser partilhados enquanto existir uma infestação.
Não é necessário desinfetar paredes, brinquedos ou divisões inteiras da casa.
Também não são recomendados sprays inseticidas ambientais ou produtos destinados a fumigar a casa para tratar uma infestação por piolhos.
10. Como prevenir a transmissão dos piolhos
Não existe uma forma de garantir completamente que uma pessoa nunca terá piolhos, particularmente em ambientes onde existe contacto próximo entre crianças.
No entanto, algumas medidas podem ajudar a reduzir a transmissão e facilitar uma deteção mais precoce:
- Evitar contacto prolongado cabeça-com-cabeça quando existe uma infestação conhecida
- Não partilhar pentes ou escovas
- Evitar partilhar acessórios que estejam em contacto direto com o cabelo
- Verificar os contactos próximos quando é identificado um caso
- Utilizar pente fino quando existe suspeita de infestação
Os produtos destinados ao tratamento da pediculose não devem ser utilizados regularmente em pessoas sem piolhos apenas como medida preventiva.
Quando existem casos de piolhos na escola ou na família, pode ser útil verificar regularmente o cabelo das crianças.
A deteção precoce permite iniciar o tratamento mais rapidamente e reduzir a possibilidade de transmissão a outras pessoas.
11. Quando procurar ajuda médica
A maioria das infestações por piolhos pode ser abordada em casa, eventualmente com aconselhamento de um farmacêutico.
Pode ser aconselhável procurar avaliação médica quando:
- Existem dúvidas sobre se são realmente piolhos
- Os tratamentos utilizados corretamente não resultam
- O couro cabeludo apresenta feridas importantes
- Existem sinais de infeção da pele
- Existe alguma condição de saúde que dificulte a escolha do tratamento
- Existe infestação das pestanas ou de outras regiões do corpo
A comichão intensa também pode levar a coçar repetidamente o couro cabeludo, provocando pequenas feridas que podem eventualmente infetar.
Na Lifefocus, uma consulta de Dermatologia pode ajudar a avaliar alterações persistentes do couro cabeludo ou situações em que o diagnóstico não é claro.
Nas crianças, uma consulta de Pediatria pode ser indicada quando existem dúvidas relativamente ao tratamento, sobretudo nas crianças mais pequenas ou quando estão presentes outros problemas de saúde.



